sábado, 30 de junho de 2012

Ateu e o (pré) conceito

Por mais que o IMPÉRIO brasileiro teve suas mazelas, pelo menos em alguns assuntos eram contemporâneos no Século XIX. Leiam essa história que descreve o "respeito" que a monarquia brasileira tinha para com republicanos e ateus, e que, em muitos casos, em pleno Século XXI, continua sendo um (pré) conceito.

O IMPERADOR E MARTINS JÚNIOR*

Era Ferreira Viana ministro no gabinete João Alfredo, quando, em um concurso na Faculdade de Direito de Recife, Martins Júnior, republicano positivista, tirou o primeiro lugar em um concurso, contra o filho de um dos maiorais do govêrno na província. O Imperador defendia, a todo o transe, Martins Junior, contra os interesses do gabinete.
- Êle é republicano, majestade! - alegou Ferreira Viana.
- Isso não é razão, - contestou o monarca; - a fé republicana não o impede de ser um bom professor.
- Depois, é um ateu.
- Ainda menos, - tornou o soberano. - Todas as crenças podem ser admitidas, desde que sejam sinceras.
Ferreira Viana sentiu-se vencer, e reagiu:
- Bem. Vossa Majestade, dispensa no civil, mas eu não dispenso no religioso!
E fechou a questão.

* Tobias Monteiro - A tolerância do Imperador, n´"O Jornal", de 5-12-925.
Texto mantido original do livro: O Brasil Anedótico, de Humberto Campos, impresso em 1940, p. 11.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O Primo Basílio (1970)


O Primo Basílio é um romance de Eça de Queirós. Publicado em 1878, constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX. O livro que faz parte do nosso acervo foi publicado em 1970 pela Editora Lello Brasileira, de São Paulo.

Do livro pode-se dizer que todas as suas páginas são belas e perfeitas, admiráveis. Porque em todas elas se patenteia e brilha o seu estilo original, a magina e o encanto de sua prosa, nimbada de ironia e beleza, de graça e precisão, de simplicidade e realismo.

Citação da obra:

(...) Juliana trouxe o rol e a lamparina. Vinha arrastando as chinelas, com um casabeque pelos ombros, encolhida e lúgubre. Aquela figura com um ar de enfermaria irritou Luísa:
- Credo, mulher! Você parece a imagem da morte! (p. 79).

Vale a pena ler e para quem leu, vale a pena reler.

Fonte da imagem: arquivo pessoal sergio/elane
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domingo, 24 de junho de 2012

O orgulho de José de Alencar: diálogo com o Imperador Dom Pedro I

O Imperador Pedro II não tinha grandes simpatias pessoais por José de Alencar. Porque êste o houvesse ferido por mais de uma vez pela imprensa, ou porque lhe fizesse mal, o amor-próprio, ou melhor, o orgulho do escritor, foi o soberano contrário, desde o princípio, à candidatura do seu ministro da Justiça, à cadeira do senador do Ceará. No dia em que êste lhe foi comunicar que era candidato, o monarca projetou-lhe:
- No seu caso, não me apresentava agora: o senhor é muito moço...
Alencar, num daqueles repentes que lhe eram habituais, não se conteve.
- Por esta razão, - disse - Vossa Majestade devia ter devolvido o ato que o declarou maior antes da idade legal...
E tomando conta de si:
- Entretanto, ninguém até hoje deu mais lustre ao govêrno...
O Imperador não lhe perdoou, jamais, êsse ímpeto, vetando, como se viu depois, o seu nome, que era o mais votado da lista.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A vassoura e o ajuntador*

Bernardo Pereira de Vasconcelos no início da moléstia grave que afinal o inutilizou para o serviço do país, sofria de uma paralisia nas pernas, que o obrigava a arrastar os pés, quando andava. Entrava êle, certa vez, no senado, esfregando os sapatos no soalho, quando o visconde de Caravelas, que era côxo e abaixava-se de uma banda a cada passada, lhe observou rindo:
- Que é isso? Você está varrendo o Senado?
- É verdade - confessou o grande tribuno - É verdade.
E aludindo ao defeito do agressor:
- Eu varro o Senado e você ajunta o cisco!

* Moreira de Azevedo - "Mosaico Brasileiro", pag. 141. Trecho extraído do livro O Brasil Anedótico, obras completas de Humberto de Campos (1940). Acervo Pessoal.

TIL - José de Alencar (1871)

O livro TIL foi lançado em 1871. A edição que possuímos é antiga tendo em vista que há uma dedicatória de um homem que presenteia uma amiga em 1934. O romance se passa no interior de São Paulo e conta a história de Berta (Inhá, Til), uma jovem “pequena, esbelta, ligeira e buliçosa” que desperta a paixão de todos a sua volta. Seu irmão de criação Miguel é um moço alto, ágil, de talhe robusto. Filho de Nhá Tudinha, é seu maior admirador e vive tentando conquistá-la.

citação da obra:

(...) E assim é tudo nella; de contraste em contraste, mudança a cada instante, sua existência tem a constancia da volubilidade.Na vaga fluctuação dessa alma, como no seio da onda, se desenha o mundo que a cerca; a sombra apaga a luz; uma forma desvanece a outra; ella é a imagem de tudo, menos de si própria. (p. 11 e 12)

Todas as obras de José de Alencar estão dispostas para download no site: www.dominiopublico.gov.br


Fonte da imagem: arquivo pessoal sergio/elane
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quinta-feira, 21 de junho de 2012

As Amizades Particulares - Roger Peyrefitte (1965)

Esta obra foi escrita por um romancista francês,  vencedor do Prêmio Renaudot , sendo adaptada ao cinema. Trata-se de uma obra elogiada pelo seu estilo elegante e pela discrição com que os temas principais, a homossexualidade e a pedofilia, são abordados.
O que chama a atenção desta obra são os assuntos polêmicos e, atualmente, contextualizados à realidade da nossa sociedade. Todavia o fato desses temas serem "escancarados" na década 60 do século passado, fica a reflexão da forma como os leitores tiveram acesso a esse livro e quais as conclusões por eles tirados.

Citação: 

"Repleto de análise psicológica este romance de Peyrefitte consegue descrever-nos com o mesmo rigor, a mesma agudeza e a mesma compreensão, tanto o mundo da adolescência como o da idade adulta. é um mundo cheio de símbolos onde a perversidade e a espiritualidade, a amizade e a hipocrisia, o amor e o ódio, o calculismo e a pureza, a espontaneidade e a astúcia, a virtude e o fingimento, a fantasia e a realidade, a alegria e a dissimulação, se entrelaçam e formam um todo. Um mundo onde o lirismo e a tragédia procuram transmitir-nos as almas inquietas ou simples desse fechado e rígido colégio religioso."

Fonte da imagem: arquivo pessoal sergio/elane
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

O Doutor Jivago - Boris Pasternak (1958)

Histórico: livro integra nosso acervo pessoal, sendo adquirido em junho de 2012. O livro foi publicado em 1958 mas pelas pesquisas e buscas que fizemos, este deve ter sido publicado em 1962.

Sinopse: Desde que o governo russo forçou Pasternak a renunciar ao Nobel de 1958 e proibiu sua publicação, o livro ganhou status de romance político. Abrangendo o período entre 1903 e 1943. 'Doutor Jivago' legou ao mundo um dos mais belos temas de amor da história do cinema.  

Citação: (...) Seguiam seguiam e, quando cessava o canto fúnebre, julgava-se ouvir, como a continuá-lo, cantarem as pernas, os cavalos e o sôpro do vento.
Os transeuntes se afastavam para que passasse o cortejo, contavam as coroas, persignavam-se. Curiosos se juntavam à procissão, indagando: "De quem é o entêrro?" (...)

Dica: apesar de termos este livro no acervo, é possível fazer o download através desse link: http://www.creatiblogs.pt/post/download-livro-dr-jivago-fid-53352

Caso você leia esse livro. Por favor, retorne a este blog e registre um comentário sobre o livro ou nos mande um e-mail: sergioferreira1966@gmail.com ou arielferro5@gmail.com
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Fonte da imagem: arquivo pessoal sergio/elane
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Um médico na tempestade - Eduardo Adami (1966)

A primeira série de livros antigos adquiridos foi composta de quatro livros, entre eles, este que estamos postando. Encontra-se em boas condições de uso, apesar de necessitar de um trabalho para manutenção.
SINOPSE: O personagem, formado em medicina, exercerá sua função no interior. A história é uma narrativa  de um jovem que reconstitui suas experiências, êxitos e fracassos na medicina, assim como, a superação de problemas na sua área.
CITAÇÕES DO LIVRO: 
"Clinicar é sinônimo de sofrer. Onde estiver o homem padecendo, está ao lado a medicina aliviando, consolando, mitigando... e padecendo, como mãe carinhosa." Miguel Couto

(...) O coração do feto acelerava. Como a mãe, estava sofrendo também. A desgraça de um repercutia no outro. O ocitócico quando não alivia, mata. Os sintomas maus foram aparecendo. A cada minuto decorrido, o caso se agravava. (p. 70).

Fonte da imagem: arquivo pessoal sergio/elane
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Livros Antigos!

Faça parte dessa ideia. Se você tem algum livro antigo, que esteja encostado e ninguém folheia, colabore com essa ideia. Aceitamos doações de livros que serão registrados e jamais comercializados por meio de contrato. Entre em contato: sergio pelo e-mail sergioferreira1966@gmail.com

Relíquias

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